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Revista Isto É Dinheiro

15/01/2010

08/01/2010

 

Revista Isto É Dinheiro - 15/01/2010

Risco refletido
Renda fixa era sinônimo de títulos públicos. Agora, gestores compram papéis privados para aumentar o rendimento das carteiras
Juliana Schincariol


O potencial de investimento da indústria de crédito privado é muito grande, diz Marcelo Michaluá, diretor da RB Capital

Duas palavras fizeram a diferença no rendimento de alguns fundos de renda fixa em 2009: crédito privado. Quem escolheu esta alternativa viu seu dinheiro crescer mais do que outros fundos de renda fixa tradicionais. Nem mesmo a provável alta da taxa Selic nos próximos meses deve mudar a estratégia dos principais gestores do País, que avaliam empresas e bancos e compram seus títulos de dívida para garantir uma remuneração superior à dos papéis públicos. Não foi por acaso que oito dos dez melhores fundos de renda fixa em 2009, em ranking divulgado na edição Onde Investir em 2010 da DINHEIRO,
optaram pela modalidade. Entre os mais rentáveis estão o PrevTrust Renda Fixa, da Aggrega, com alta de 12,52% no ano passado, e o Mercatto Top Renda Fixa, da Mercatto, que rendeu 11,34%. Os fundos de renda fixa mais tradicionais estão com desempenho semelhante ao da poupança (pouco mais de 6%), já descontadas as taxas de administração.

Turbinar os investimentos com títulos privados já é considerado necessário para trazer um melhor desempenho e deve ser tendência para os próximos anos. Além de debêntures, eles adquirem papéis como CRIs, CCIs, notas promissórias, CDBs e Depósitos a Prazo com Garantia Especial (DPGE). Esse tipo de estratégia veio para ficar, na opinião de Marcelo Mello, vice-presidente da SulAmérica Investimentos, onde cerca de 10% de todo o patrimônio líquido administrado está alocado em crédito privado. O superintendente executivo do Safra Asset, Márcio Appel, vai além: “O crédito privado será a principal
categoria dos fundos DI e de renda fixa no futuro.”

A RB Capital é uma das gestoras que apostam nesta alternativa. Atualmente possui um patrimônio de R$ 30 milhões de fundos em crédito privado e, para 2010, a intenção é aumentar a captação destes investimentos, com um esforço maior diante dos canais de atacado e também com o investidor final. Cerca de 70% do patrimônio está aplicado em CDBs de bancos de primeira linha e 30% em CRIs e CCIs, os preferidos da RB. “O potencial de crescimento desta indústria é muito grande”, diz o diretor, Marcelo Michaluá.

Passada a crise financeira, a tendência é de que as companhias recorram mais à emissão de dívidas para se financiar, já que a recuperação mais intensa da economia brasileira aumenta a necessidade de investimento.

No caso das debêntures, atualmente é difícil pensar numa carteira diversificada, já que a concentração está em companhias dos setores de telecomunicações, energia e petróleo. Isso deve mudar, já que é esperado o lançamento deste tipo de títulos por empresas que fizeram IPO nos últimos anos – caso de construção civil e consumo. A tendência é o aquecimento do mercado secundário de títulos privados. Assim, tanto o gestor quanto o
investidor terão novas opções. Mas atenção ao escolher os gestores. Todo fundo de crédito privado tem risco de perdas por envolver empréstimos. Seleção de boas empresas é tudo. “Para investir com sucesso nesse tipo de ativo é preciso reunir uma equipe com experiência em análise de crédito, produtos estruturados e gestão de garantias”, diz o gestor da Aggrega Investimentos, José Antonio Pinto.

Mas empresas brasileiras têm se mostrado sólidas. Gestores afirmam que o risco de calote é baixo. “Na crise [de 2008], não houve fato relevante que mostrasse a fragilidade dos nossos fundos. Lá fora, várias empresas pediram concordata”, lembra o superintendente de renda fixa da Santander Asset Management, Eduardo Castro. No banco, o fundo Yield Premium tem patrimônio de R$ 2 bilhões, opera principalmente com debêntures e deve ter cerca de 70% voltado para o crédito privado.

 

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